5 de setembro de 2009
27 de julho de 2009
Lobisomem em Canhotinho
Uma reportagem do Diário de Pernambuco conta tudo sobre o lobisomem que atormenta os moradores da cidade de Canhotinho , no Agreste do estado. A matéria é do repórter Jailson da Paz e foi publicada em 25 de março de 2001
A cidade de Canhotinho, no Agreste pernambucano, não é mais a mesma quando a noite cai. As crianças vão para a cama mais cedo, os adultos evitam sair de casa e à meia-noite as ruas estão praticamente vazias. Não é medo de ladrão, nem o sono que chega antes da hora. São uivos estranhos e a correria dos cães que estão levando boa parte dos 24.919 habitantes do município a acreditar que tem um lobisomem à solta e pronto para atacar.
Se já havia desconfiança com a movimentação estranha nas ruas, a apreensão aumentou há 15 dias quando um carneiro amanheceu morto no bairro da Cohab. As marcas de mordidas no pescoço eram sinais de algo fora do comum. "Há 18 anos moro aqui e nunca vi bicho morto desse jeito", contou a dona de casa Maria do Socorro Viana de Sá, 42 anos. Mas o estranho, comentou Irene Bernadino Leal, 41, foi que durante a noite o carneiro berrava longe e ouviu-se barulhos estranhos seguidos da "latonia dos cachorros".
A história rapidamente correu e não faltaram interpretações, mas todas descambavam para o mesmo ponto: o matadouro da cidade. É nesse lugar acinzentado e de pouca vegetação que muitos acreditam ocorrer a transformação do homem, que bate na mãe e foi amaldiçoado por ela, em um lobo. "Fico arrepiada só de pensar que esse bicho vira espírito do mal por trás da minha casa", lamentou a dona de casa Josefa Pereira da Silgva, 53.
Mas Selma do Nascimento, 36, tem razão maior para se arrepiar. No começo deste mês, o filho dela, Jocimar, 16, chegou em casa apavorado. "Um cachorro preto enorme e com garras grandes correu atrás dele", comentou. Desse dia em diante, o rapaz não sai de casa depois das 22h e passou a ver o lobisomem como um risco verdadeiro e não mais como uma lenda. Até Selma, que via a história com desconfiança, ouviu uivos estranhos vindos do matadouro.
Se o lobisomem existe ou não, não importa para os moradores de Canhotinho. O que mais interessa é a lista com o nome dos suspeitos que viram o bicho. E é na rádio comunitária que Zé Soluço - personagem do radialista Haroldo Veloso - divulga a relação. "Lobisomem é como Papai Noel, todo mundo sabe quem é".
Entre os nomes está o de Cícero, filho de Cícera Liminato da Silva, 65. Meu filho bebe umas cachaças e a gente sabe que quem bebe, às vezes, perde a cabeça e faz besteira. Mas eu nunca amaldiçoei meu filho. Ele é um homem trabalhador", disse, defendendo o filho da acusação de que teria batido nela. Para Cícera, que a vida inteira ouviu histórias de lobisomem, o filho não tem jeito de ser o homem-lobo.
As versões da história chegaram a delegacia, mas só em palavras. "Nada de queixas", assegurou o agente Manoel Fernando Moraes. "Mas se aparecer vamos atrás do peludo. Mostraremos a cara dele para todo mundo ver". Alguns acreditam que o lobisomem é, na verdade, um urso.
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
LOBISOMEM ASSUSTA POPULAÇÃO DE CANHOTINHO,SEGUNDO TESTEMUNHA O BICHO PELUDO ESBAGAÇOU OS CACHORROS DE SUA CASA
Agricultora garante que viu o ser estranho comendo seus cachorros
Moradores da cidade de Canhotinho, no Agreste do Estado, estão vivendo uma rotina diferente há cerca de um mês. Crianças praticamente não saem de casa à noite, a maioria dos adultos tranca as portas depois das 22 horas e os que arriscam quebrar esse comportamento, correm o risco de ser atacados por um “lobisomem”. A população está aflita com os boatos de que o bicho que atormentou a cidade em 2001, está de volta uivando e atacando animais durante a noite.
Já são vários os relatos de pessoas que viram o monstro ou que tomaram conhecimento de sua presença em Canhotinho. O pavor aumentou no último sábado, depois do ataque que aconteceu no sítio Várzea. A agricultora Maria do Carmo Soares, de 57 anos, garante que viu o “lobisomem” comendo os cachorros de sua casa. “Eu estava assistindo televisão quando me levantei para ir apagar a luz da cozinha. Aí eu vi uma coisa estranha pela brecha da porta.
Quando eu fui olhar direitinho, era um bicho grande, todo peludo, com orelhas grandes e todo preto. Ele estava comendo um dos meus cachorros”, conta. O medo que ela teve foi tão grande que na hora ficou sem saber o que fazer. “Eu estava sozinha e fiquei sem ação. Chorei muito, fiquei desesperada”, afirma. Ela diz que no dia seguinte encontrou os seus três cachorros mortos. “Os pedaços deles estavam espalhados pelo terreiro. Eu nunca na minha vida vi um cachorro ser morto daquele jeito. Eu só consegui encontrar três pernas e uma cabeça dos cachorros. O resto ele deve ter engolido”, lembra.
No bairro Eliza Holanda, onde fica localizado o cemitério da cidade, os relatos são ainda mais assustadores. Um vigilante de um colégio, que pediu para não ser identificado, disse que chegou a atirar no pescoço do “lobisomem”. “Primeiro eu vi uma coisa muito estranha quando estava vindo para o trabalho. Foi por trás do cemitério, era como se fosse ele (o lobisomem) se transformando. No outro dia, eu estava aqui no colégio quando ele me viu e veio me atacar. Ele tinha dentes grandes e garras afiadas, deu medo, mas eu atirei no pescoço dele e depois ele saiu correndo pelo matagal”, garante.
A estudante Íris Frazão, de 19 anos, não viu o bicho pessoalmente. Mas ela diz que três cortadores de cana se depararam com o monstro numa estrada da zona rural e que tentaram matá-lo com facão, mas não conseguiram. “Eles estão vigiando o lobisomem pelos sítios aqui de Canhotinho”, conta a jovem. A estudante, como todas as outras pessoas que foram ouvidas pela reportagem, diz que o “lobisomem” é uma moça que mora perto do cemitério e que é acostumada a espancar a própria mãe. “A vida dela é bater na mãe. Todo mundo vê a coitada com a boca cortada e com marcas de unhas pelo corpo. Ouvi dizer que a transformação acontece num cercado que fica atrás da casa dela”, detalha. “Depois que o vigia deu um tiro nele, no outro dia ela foi atendida no hospital com dores no pescoço”, completa. (Folha de Pernambuco)
Moradores da cidade de Canhotinho, no Agreste do Estado, estão vivendo uma rotina diferente há cerca de um mês. Crianças praticamente não saem de casa à noite, a maioria dos adultos tranca as portas depois das 22 horas e os que arriscam quebrar esse comportamento, correm o risco de ser atacados por um “lobisomem”. A população está aflita com os boatos de que o bicho que atormentou a cidade em 2001, está de volta uivando e atacando animais durante a noite.
Já são vários os relatos de pessoas que viram o monstro ou que tomaram conhecimento de sua presença em Canhotinho. O pavor aumentou no último sábado, depois do ataque que aconteceu no sítio Várzea. A agricultora Maria do Carmo Soares, de 57 anos, garante que viu o “lobisomem” comendo os cachorros de sua casa. “Eu estava assistindo televisão quando me levantei para ir apagar a luz da cozinha. Aí eu vi uma coisa estranha pela brecha da porta.
Quando eu fui olhar direitinho, era um bicho grande, todo peludo, com orelhas grandes e todo preto. Ele estava comendo um dos meus cachorros”, conta. O medo que ela teve foi tão grande que na hora ficou sem saber o que fazer. “Eu estava sozinha e fiquei sem ação. Chorei muito, fiquei desesperada”, afirma. Ela diz que no dia seguinte encontrou os seus três cachorros mortos. “Os pedaços deles estavam espalhados pelo terreiro. Eu nunca na minha vida vi um cachorro ser morto daquele jeito. Eu só consegui encontrar três pernas e uma cabeça dos cachorros. O resto ele deve ter engolido”, lembra.
No bairro Eliza Holanda, onde fica localizado o cemitério da cidade, os relatos são ainda mais assustadores. Um vigilante de um colégio, que pediu para não ser identificado, disse que chegou a atirar no pescoço do “lobisomem”. “Primeiro eu vi uma coisa muito estranha quando estava vindo para o trabalho. Foi por trás do cemitério, era como se fosse ele (o lobisomem) se transformando. No outro dia, eu estava aqui no colégio quando ele me viu e veio me atacar. Ele tinha dentes grandes e garras afiadas, deu medo, mas eu atirei no pescoço dele e depois ele saiu correndo pelo matagal”, garante.
A estudante Íris Frazão, de 19 anos, não viu o bicho pessoalmente. Mas ela diz que três cortadores de cana se depararam com o monstro numa estrada da zona rural e que tentaram matá-lo com facão, mas não conseguiram. “Eles estão vigiando o lobisomem pelos sítios aqui de Canhotinho”, conta a jovem. A estudante, como todas as outras pessoas que foram ouvidas pela reportagem, diz que o “lobisomem” é uma moça que mora perto do cemitério e que é acostumada a espancar a própria mãe. “A vida dela é bater na mãe. Todo mundo vê a coitada com a boca cortada e com marcas de unhas pelo corpo. Ouvi dizer que a transformação acontece num cercado que fica atrás da casa dela”, detalha. “Depois que o vigia deu um tiro nele, no outro dia ela foi atendida no hospital com dores no pescoço”, completa. (Folha de Pernambuco)
HISTÓRIAS QUE ACONTECERAM EM CANHOTINHO
4 de julho de 2009
1 de julho de 2009
28 de junho de 2009
A ESTAÇÃO
1905

A ESTAÇÃO: A estação de Canhotinho foi inaugurada em 1885 como ponta da linha que vinha do Recife, permanecendo nessa condição por 2 anos e meio, quando a ferrovia foi prolongada até Garanhuns. A localidade, existente desde meados do século 19, tinha o nome devido aos irmãos Canhoto (que morava "para as bandas do Lajeiro e da serra dos Bois") e Canhotinho, o mais baixo dos irmãos e que morava próximo aonde mais tarde se construiu a estação, no final da Rua da Estação. "Localizada a 60 quilômetros a leste de Garanhuns, Canhotinho só começara a prosperar após a chegada da ferrovia Sul de Pernambuco, em 2 de outubro de 1885. Nesse dia, registrou o reverendo Cícero Siqueira, a população da cidade foi despertada pelo sibilo da primeira máquina de trem, ainda à espera do assentamento dos últimos trilhos até a estação ferroviária, de há muito construída à espera dos mesmos. O trabalho terminaria naquela mesma tarde, sendo a estação formalmente inaugurada. Chegara o trem. Chegara o “progresso”. Houve festa, regozijo, espocar de rojões e foguetório. As pessoas da pequena freguesia de São Sebastião de Canhotinho, no entanto, dificilmente compreenderiam o verdadeiro impacto desse evento na futura existência de sua diminuta vila. As terras em toda a região, dominadas por um pequeno grupo de coronéis, já produziam algumas colheitas de consumo local – feijão, milho, macaxeira, mandioca, rapadura, leite, queijo e manteiga. A chegada da ferrovia, no entanto, daria condições para a produção de outros produtos agrícolas, para serem exportados, incrementando grandemente a economia local. Logo após o evento da chegada da ferrovia, as terras onde já se havia iniciado a plantação de produtos de “exportação”, como o algodão, começaram também a produzir tabaco e cana de açúcar. Em breve haveria 47 engenhos na localidade, apenas três dos quais produziam rapadura. O restante dedicava-se à produção do açúcar mascavo, para ser enviado ao Recife e às usinas beneficiadoras. A cidade chegou a ser até um centro de exportação de orquídeas para os Estados Unidos da América, como veremos adiante. Esse foi o começo de um período de quase 75 anos de prosperidade. A vila tomou foros de cidade. Tornou-se, também, um centro para a exportação dos produtos de todos os municípios vizinhos. (...) A chegada do primeiro evangélico em Canhotinho, foi típica daquela época. Este foi o já mencionado vendedor de Bíblias Antônio Vera Cruz, humilde ajudante do Dr. Butler em Garanhuns. Vera Cruz vendia Bíblias, Novo Testamentos e panfletos evangélicos nas cidades ao longo da ferrovia Sul de Pernambuco. Em um desses périplos, a caminho de Canhotinho, onde nunca estivera antes, Vera Cruz teve a má sorte de viajar no mesmo trem com vigário local. Este, reconhecendo-o, resolveu impedir suas vendas de Bíblias naquela cidade. O vigário então chamou o povaréu, que sempre ia à estação esperar o trem – o grande divertimento diário local - para colocar Vera Cruz de volta no comboio, e despachá-lo para outros lugares. Como Vera Cruz se recusara a obedecer, o povo passou a atacá-lo fisicamente. A barulheira era tanta que o Coronel Manoel Caetano Vidal – dono de terras e político local - naquela hora trotando seu cavalo a caminho da estação ferroviária, apressou o animal para ver do que se tratava. Ao chegar lá, perguntou o que ocorria, sendo informado de que era um “bode nova-seita”, sendo surrado para ir embora" (Canhotinho: Dr. Butler e Seus Amigos - site www.geocities.com/davidgueiros). Mais tarde a linha de Paquevira a Garanhuns foi transformada em ramal, com a abertura da E. F. Sul de Pernambuco, a partir de Paquevira. Não sei a situação atual da estação. (Fontes: Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; www.geocities.com/davidgueiros; Flavio Cavalcanti, 2006; Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, volume XVIII, 1958; Guias Levi, 1932-1980)
IGREJA PRESBITERIANA DE CANHOTINHO





HISTÓRIA
Em 1898 Dr. Butler e família mudaram-se de Garanhuns para Canhotinho. O evangelho já tinha sido levado para Canhotinho pelo presbítero Vera Cruz, embora a população local houvesse resolvido não permitir que a "nova seita" entrasse nos seus limites.
A chegada de Vera Cruz foi verdadeiramente dramática.
Certo dia, quando estava na sua plantação de café, Caetano Vidal ouviu um grande vozoeiro na estação ferroviária .
- Que é que está acontecendo na estação? Gritou ele a um dos criados.
- Chegou uma "nova seita" no trem de Garanhuns e o povo quer apedreja-lo.
- Neste caso, eu vou também jogar a minha pedra! Disse ele e montou a cavalo.
- Chegou uma "nova seita" no trem de Garanhuns e o povo quer apedreja-lo.
- Neste caso, eu vou também jogar a minha pedra! Disse ele e montou a cavalo.
A toda brida e firme no seu propósito, foi ele na direção do barulho. Ao chegar lá, porém ficou profundamente surpreso com a atitude de Vera Cruz que, sentado e de Bíblia aberta nas mãos, esperava pacientemente a morte. Seu coração se encheu de piedade e mudou rapidamente de idéia: ao invés de apedrejar, defenderia. Tomando a frente da multidão, dirigiu-se ao estranho visitante.
- Ei, levante-se e venha comigo!
- O senhor representa as autoridades deste lugar? Perguntou o pregador.
- Não, eu não represento nada, mas é melhor vir.
- O senhor representa as autoridades deste lugar? Perguntou o pregador.
- Não, eu não represento nada, mas é melhor vir.
Certo de que nada, exceto a violência, o aguardava, Vera Cruz se levantou e o seguiu.
Caetano, ainda que de origem humilde, pois fora um garoto que não recebera educação, que jamais tinha conhecido o cuidado de um pai, ou o carinho de uma mãe, era agora um homem de influencia em Canhotinho, um dos seus ricos plantadores de café e cana. Isto o ajudou naquele momento de decisão.
Enquanto os dois se apressavam em chegar à casa de Caetano, subindo a ladeira do Alto da Parasita, a multidão os seguia, pronta a entrar em ação. Quando alcançaram a residência, Caetano empurrou Vera Cruz portão adentro, postou-se de frente para a turba e gritou:
- Alto lá! Este homem agora é meu hóspede e eu vou defende-lo enquanto tiver forças. É melhor ninguém avançar. Atrás de mim estão meus cachorros e atrás dos cachorros minhas armas.
Quando a multidão se dispersou, já no interior da casa, Caetano perguntou-lhe o que tinha ido fazer ali. Vera Cruz respondeu:
- Eu vim pregar o evangelho de Jesus Cristo.
- Pois bem! Retrucou Caetano: Se foi isto que veio fazer, pode começar e não precisa se preocupar com o tempo.
- Pois bem! Retrucou Caetano: Se foi isto que veio fazer, pode começar e não precisa se preocupar com o tempo.
A situação estava praticamente ganha. À noite Vera Cruz falou para a família toda.
Ao recolher-se ao quarto de hospedes, gastou ainda alguns minutos lendo a Bíblia em voz alta, no que foi ouvido pela esposa de Caetano. Para melhor escutá-lo ela se aproximou do quarto e disse depois ao esposo: "Isto parece ser coisa de Deus".
Naquela mesma casa ainda no ano de 1898, realizaram-se os primeiros cultos e daquela família saíram baluartes do trabalho iniciante. Quando o Dr. Butler foi para lá, um mês depois, encontrou já as portas abertas e um pequeno núcleo de crentes pronto a recebe-lo.
Canhotinho, que serviu de morada ao Dr. Butler, pelo resto da vida, é uma cidade do agreste pernambucano, situada a 210km do Recife, na direção sudoeste. Está a 467 m de acima do nível do mar, oferece graças à sua altitude, clima saudável e ameno, ainda que quente úmido, caracteriza-se por uma topografia acidentada, o que dá lugar a dois níveis na cidade: cidade alta e a baixa.
A região começara a ser povoada em 1812, Habitava, nesta época, dois irmãos, a margem do rio canhoto, que ate então não tinha nome. Um deles se estabeleceu no local onde ora se estende a conhecida rua da Estação, e o outro, mais acima, ao norte, no lugarejo chamado Canhoto, para as bandas do Lajeiro e da Serra dos bois. Sucede que este último ficou conhecido, por todos que o cercavam, pelo apelido de Canhoto, que mais tarde se transmitiu ao rio, como este fosse de propriedade do referido senhor que ocupava um ponto único em todo o seu curso. O primeiro, já mencionado, que era de estatura baixa foi apelidado de Canhotinho, para que fossem diferenciados. Canhotinho, extremamente devotado a São Sebastião, erigiu uma capela que serviu de atração para outras pessoas.
Daí por diante, as casas começaram a aparecer ao redor, e, com as casas, as ruas. Formara-se um pequeno povoado. Pouco a pouco o progresso se fez sentir. Em 1822, o lugar foi elevado à categoria de distrito, pertencendo ao Município de São Bento.
Em setembro de 1885, foi concluída a estação ferroviária, chegando também ali a primeira locomotiva. Em julho de 1890 o povoado foi elevado à categoria de vila e, em outubro, com a nova divisão geopolítica, passou a fazer parte do município a localidade de Lajedo. Canhotinho se nivelava agora a Calçado e a Glicério, partes da mesma unidade. O primeiro Conselho Municipal foi eleito a 23 de janeiro de 1893, cinco anos antes da chegada do Dr. Butler. Pouco depois, a 14 de maio de 1903, a vila adquiriu o nível de cidade, chamando-se São Sebastião.
Fixar residência, em Canhotinho não foi fácil. Ninguém queria vender ou alugar uma casa ao Dr. Butler. O mesmo lhe havia acontecido em Garanhuns. Depois de muita luta, conseguiu uma casa no Alto da Parasita, o Alto que haveria de testemunhar toda a sua ação cristã de médico-pregador. Ficava perto de onde morava Caetano Vidal.
Somente o desafio do lugar o levou a aceitar as condições dessa primeira casa onde morou. Na verdade, ela não oferecia as mínimas condições de moradia: era de taipa (sopapo, como diziam); o teto gotejava quando chovia; o assoalho era de terra batida, sujo e negro; a cozinha havia sido improvisada ao ar-livre, no quintal, à chuva e ao sol; a água potável era de má qualidade e quase não havia água para banho; tinha só três cômodos, que eram usados continuamente como sala de cultos, de recepção, quartos de dormir e hospital. A pequena entrada era iluminada por uma lâmpada a querosene e mobiliada com bancos que o Dr. Butler mesmo fez. O púlpito era uma mesa redonda, também usada como laboratório, durante o dia. E para completar o desconforto, o teto era freqüentemente visitado por pequenas cobras, que nele procuravam aninhar-se. Certa vez, quando Da. Rena ensinava às crianças, uma dessas cobras lhe caiu sobre a cabeça, causando-lhe terrível susto, e criando-lhe um medo de serpentes nunca mais vencido.
Assim o Dr. Butler estabeleceu-se em Canhotinho, como médico e pregador. Apesar da pobreza das instalações, foi fácil obter grande êxito no trabalho desde o inicio em virtude da carência da região.
A situação de moradia tomou depois outro aspecto, com a construção de novas casas. Em Canhotinho, começou edificando casas, atendendo às necessidades locais. Com as próprias mãos, ajudou nas construções.
Primeiro levantou uma casa de estilo simples na qual se destaca ainda hoje o sótão, seu quarto de oração. Depois, edificou outra casa ao lado, com melhores instalações, e aspecto mais agradável, onde a família passou a morar. Para atender às necessidades médicas, levantou mais uma casa onde fez funcionar a farmácia e o laboratório. Mais tarde, construiu um edifício para o hospital. Duas outras construções foram muito importantes para ele, porque preencheram as lacunas que ainda existiam: a escola e a Igreja. Elas completaram o seu trabalho, dando à ação cristã um caráter mais completo: religião, saúde e educação.
O ambiente da região de Canhotinho estava tornando mais alegre para os Butlers até que algo terrível aconteceu. No dia sete de fevereiro de 1898, triste noticia abalou os meios evangélicos pernambucanos.
O coronel Joaquim Vitalino havia convidado o Dr. Butler para fazer cultos na Baixa e em São Bento. O convite foi aceito com alegria, tanto por ele como pelo grupo de crentes que costumava acompanha-lo nessas viagens. Foram, então, montados a cavalo, para a vila de São Bento, onde, durante cerca de três dias, realizaram cultos especiais e conferências. Ao mesmo tempo, o Dr. Butler receitava o povo.
Na manhã do quarto dia, prepararam-se para voltar. Um dos companheiros, Manuel Corrêa Vilella, conhecido como Né Vilella, foi um dos últimos a montar bem ao lado do Dr. Butler. De repente, surgiu um homem cavalgando em disparada, dirigindo-se para os dois. "Alguma noticia de emergência!" pensaram. Na verdade, tratava-se de um carteiro, o conhecido Negro Velho, que se caracterizava pelo fanatismo anti-evangélico. Desta vez, porem a mensagem que deveria entregar era a morte, endereçada ao Dr. Butler, remetida pelo vigário local, o Pe. Joaquim Alfredo.
A cena foi rápida e inesperada. Negro Velho atacou primeiro o Dr. Butler a cacetadas. Avançando em sua direção, Né Vilella aparou a pancada e, descendo do animal, em gestos rápidos e fortes, tomou-lhe o cacete. Houve quem segurasse o cruel estafeta, mas ele conseguiu soltar-se e voltou a atacar com fúria ainda maior. O seu aspecto era verdadeiramente diabólico: os olhos esbugalhados, o rosto arroxeado pela cólera. Arremessou ema pedra no medico e de punhal na mão. Vilella rápido como uma serpente, tomou a dianteira e recebeu a punhalada, que o atingiu no peito esquerdo. Em menos de cinco minutos expirou.
Naquele exato momento, quando o assassino estava ainda mergulhado na indecisão de que não sabe se vai adiante no seu ato ou foge, Dr. Butler saltou do cavalo e ajoelho-se ao lado do amigo que rendia o espírito. Levantou-se em lagrimas e exclamou:
-Mata-me também! Satisfaze tua sede de sangue! Não sou melhor do que o irmão que tu mataste.
Mas Negro Velho fugiu. O Coronel Vitalino ainda o perseguiu, mas em vão.Recobrando o animo e o auto-controle o Dr. Butler pregou ali mesmo.
A morte de Né Vilella, porém resultou na conversão de muitas pessoas que, apartir daquela data, começaram a se interessar pelos ensinos da nova igreja. Poucos meses a 26 de julho o Dr. Butler batizou 34 pessoas em Catonho, no mesmo município de São Bento, e mais 16, daí a dias, em Vitória, no vizinho Estado de Alagoas.
A inauguração no dia 20 de junho de 1915, foi profundamente tocante. O Dr. Butler proferiu o sermão inaugural, entre lágrimas de grande emoção. Depois de relembrar os fatos relacionados com a morte de Né Vilella em seu lugar, concluiu lembrando que Jesus também morrera por ele. Após, convidou os companheiros de viagem, testemunhas dos acontecimentos, para depositarem a urna, com os ossos do mártir, sob o púlpito. Uma lapide de mármore traz os dizeres: "Em memória de Né Vilella, assassinado em São Bento por causa do Evangelho - 1898". (hoje os ossos de Né Vilella se encontram no mesmo tumulo onde estão os do Dr. Butler.).
Geografia
Localiza-se a uma latitude 08º52'56" sul e a uma longitude 36º11'28" oeste, estando a uma altitude de 520 metros. Sua população estimada em 2008 era de 24.874 habitantes.
O relevo do município faz parte das superfícies retrabalhadas, sendo bastante dissecado e com vales profundos que compõem os morros que antecedem o planalto da Borborema.
A vegetação é predominantemente floresta subperenifólia, com partes de floresta hipoxerófila.
O município está inserido nos domínios do grupo de bacias de pequenos rios interiores. Seus principais tributários são os rios Canhoto e Inhaúma, além dos riachos da Casinha, das Paixões, do Esporão, Riachão e Sto. Inácio, todos de regime intermitente. Conta ainda com os açudes do Espeto e Brejo da Cinza.
Assinar:
Postagens (Atom)




































